|
O
jornalismo em outro lugar
Acredito que
é difícil para qualquer pessoa, que se interesse seriamente
por sua profissão, encontrar informações novas e
interessantes para ler sobre a área que atua. Esse tipo de conteúdo,
muitas vezes, está na mente de pessoas brilhantes e, ainda, não
foi passado para o papel ou publicado na Internet. Alias, conteúdo
relevante na Internet tem rareado. Em alguns casos, só pagando.É
o tal de Premium Content.
No jornalismo, acontece o mesmo fenômeno. Não há muita
coisa interessante para se ler ou ver sobre o fazer jornalístico.
Percebi isso mais claramente na semana passada, conversando com um aluno
de graduação, após o término da aula.
Naquele momento me deparei com uma triste constatação. Notamos
que os websites que se propõem a fazer um debate sobre os problemas
do jornalismo contemporâneo adotam a linha, não intencional
acredito, da crítica. Ou seja, tudo está muito ruim.
O aluno, apesar de ser do primeiro ano, portanto, com poucos elementos
teóricos para fazer uma análise mais profunda, concordou
com a minha linha de pensamento e a reforçou. Foi a partir deste
instante que percebi que a situação estava feia, mesmo.
Antes dessa conversa, acreditava que meu olhar estava demasiadamente crítico
e cruel com aqueles que estão ´tentando´ apontar os
erros para que se construa um melhor jornalismo no Brasil.
Minha opinião é clara, o jornalismo praticado na terra de
Macunaíma beira ao tosco. No entanto, percebo, clicando ali e aqui,
que as críticas são sempre as mesmas. São pontuais
e não levam a lugar nenhum. Tem algumas, como a que fala sobre
a checagem das informações. Esse procedimento é tão
básico no jornalismo, como ter um ovo para fazer uma omelete.
Então, antes mesmo de ter consciência desta condição,
já estava procurando em outros lugares com novidades e exemplos
que poderiam ser adaptados ao fazer jornalístico, dando-lhe força
e frescor.
Ao ler a entrevista de Walter Murch, editor e sound designer do filme
Cold Moutain (Miramax) a um website americano especializado em vídeo
digital, fiquei interessado nas técnicas do veterano profissional
(ele editou Apocalipse Now entre outros grandes sucessos, como o Paciente
Inglês).
Os três filmes acima citados, apesar de comerciais e `roliudianos’
têm como característica serem baseados em fatos históricos.
Murch mostra na entrevista como ele edita, monta e introduz sons para
dar um caráter de autenticidade a história.
Murch não tem nenhum compromisso com a verdade, com a veracidade
dos fatos, como um jornalista que edita um telejornal, por exemplo, Mas,
ele se preocupa em passar com exatidão aquilo que realmente quer
mostrar, sem ruídos.
Estive pensando, não seria melhor fazer um debate sobre a qualidade
a nossa edição nos telejornais, por exemplo, e quais os
novos caminhos possíveis para melhorá-la. Ou podemos continuar
debatendo sobre como deve ser vestir um apresentador de telejornal.
|