O XXVVII
Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação,
realizado na agradável PUC de Porto Alegre, reuniu cerca de 4.000
pessoas, segundo os organizadores. Entre palestras, apresentações
de trabalhos e mostras circularam pelas salas e corredores da instituição,
pesquisadores, professores e alunos da área de comunicação
de todo o Brasil.
Não participava dos congressos promovidos pela Sociedade Brasileira
de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom)
desde Santos, em 1997. Depois de sete anos, percebi que pouca coisa
mudou, a não ser o número de participantes, que dobrou.
Mas em ciência, quantidade não quer dizer necessariamente
qualidade.
Transitei por Núcleos de Pesquisa (NP) e conversei com muita
gente. Encontrei, por exemplo, apresentação de trabalho
de um pesquisador sênior (doutor) sobre o gênero jornalístico
“Cartas do Leitor” até papers sobre Marshall McLuhan, que agora,
redimido, ressuscita no mundo da comunicação brasileira,
depois de mais de 20 anos de calabouço, jogado lá pelo
pessoal que adota ideologicamente a Escola de Frankfurt.
A análise sobre “Cartas do Leitor” é produzida pedagogicamente
nos cursos de Jornalismo, geralmente, no primeiro ano. Se pega um período
e se realiza um trabalho de identificação das incidências
dos assuntos abordados no jornal. Pronto: um seminário e o exame
termina ali. Mas fazer um trabalho de pesquisa sênior sobre a
questão? Não sei se acrescenta muita coisa. Entretanto,
o que mais me chamou a atenção foi que durante a apresentação
do trabalho, outros pesquisadores faziam inúmeras anotações.
Acredito que não consegui ´alcançar´ o nirvana
analisado. Estou pensando nisso até agora. Tem alguma coisa que
ainda não sei sobre o espaço reservado às observações
dos leitores nos jornais?
Sobre McLuhan, meu inspirador no campo da comunicação,
percebi que está se tornando um líder de uma seita. Infelizmente,
aqui no Brasil tendemos a achar a resposta para tudo numa pessoa ou
numa linha de pensamento. McLuhan tem obras fundamentais (ver bibliografia
abaixo), porém errou em acreditar que os hemisférios direito
e esquerdo do cérebro funcionam separadamente e na questão
da divisão entre meios frios e quentes.
Todavia, nada disso invalida o trabalho do brilhante pupilo Harold Adams
Innis. Morto em 1980, acredito que devemos olhar para McLuhan como um
sinalizador e não como um oráculo.
Portanto, como não participei de todas as sessões, que
é impossível, pois as apresentações acontecem
simultaneamente, utilizando várias salas e prédios, não
posso me embasar somente pelo que assisti. Mas tive acesso, como todos
os participantes, à integra de todos os papers apresentados,
li uns 15. Na minha área, jornalismo e mídia digital,
não vi nada de interessante. Acredito que estou ficando chato
para ir ao Intercom, portanto, vou analisar com muita calma se vou aparecer
no Rio de Janeiro, em 2005, na próxima edição.
Assim evito aborrecimentos, principalmente, aos outros.
Bibliografia de Marshall McLuhan
1951 The Mechanical Bride: Folklore of Industrial Man (Vanguard Press)
1962 The Gutenberg Galaxy: The Making of Typographic Man (University
of Toronto Press)
1964 Understanding Media: The Extensions of Man (McGraw-Hill)
1967 Verbi-Voco-Visual Explorations (Something Else Press)
1967 Medium is the Massage: An Inventory of Effects, with Quentin Fiore
(Random House/1989 Simon and Schuster)
1968 War and Peace in the Global Village, with Quentin Fiore (McGraw-Hill/1989
Simon and Schuster)
1968 Through the Vanishing Point: Space in Poetry and in Painting, with
Harley Parker (Harper and Row: World Perspective Series Vol 37)
1969 Counterblast, with Harley Parker (McClelland and Stewart)
1970 From Cliche to Archetype, with Wilfred Watson (Viking)
1970 Culture is Our Business (McGraw-Hill)
1972 Take Today: The Executive as Drop-out (Harcourt Brace Jovanovich)
1977 City as Classroom: Understanding Language and Media, with Kathryn
Hutchon and Eric McLuhan (Book Society of Canada Limited)
Posthumous
books
1988 Laws of Media: The New Science, with Eric McLuhan (University of
Toronto Press)
1989 The Global Village: Transformations in World Life and Media in
the 21st Century, with Bruce R. Powers (Oxford University Press).