ARTIGO


O que os analógicos temiam está acontecendo

Por ser pioneiro no Brasil no trabalho com mídias online, começando por vídeo-texto, passando por freqüentar BBS´s (Bulletin Board System) e, finalmente, produzindo conteúdo e tecnologia para Web, li e ouvi muita gente comentando sobre a questão do crescimento do uso de mídias digitais no Brasil. E não foram comentários bondosos e, algumas vezes, pouco educados, passando até por agressões à inteligência humana.

Denomino esse pessoal, sem colocar nenhum tipo de rótulo, coisa que eles adoram fazer, de ´Analógicos`. Nenhum demérito nisso, pois também sou um. Porém, com uma diferença: também viro a chavinha na minha mente para o mundo digital ou pelo menos tento fazer essa mudança.

Devo reconhecer, eles foram visionários. O medo da mudança, da novidade, fez com que adquirissem tal habilidade. Já sabiam que a rede ia avançar a passos largos, coisa que nem eu acreditava tanto, apesar de apostar todo o meu estudo e trabalho nisso. Por isso os violentos ataques, muitos estampados em matérias de jornais e revistas que guardo com carinho e outras transmitidas até em rede de televisão, como a que mostrou um homem subnutrido, de shorts, camiseta e calçando uma surrada sandália havaiana, que segurava uma magrela (bicicleta desprovida de qualquer componente em boas condições). Com a cabeça da matéria televisiva dizendo que a polícia tinha prendido um hacker... isso mesmo, um hacker, levou a audiência a pensar que se tratava de um expert em invasão de computadores. Mas na verdade, era um delinqüente que enganava idosos, trocando cartões de banco dos incautos da terceira idade, dentro do caixa eletrônico.

Porém, nada adiantou, o dia que os ´analógicos´tanto temiam está chegando. O dia que a mídia digital ocupará um espaço de destaque entre os consumidores de conteúdo informativo, sem matar nenhum outro veículo.

O estudo da Harris Interactive e Tennage Research Unlimited, divulgado pela Reuters, indica que a Internet já superou a preferência de adolescentes e jovens adultos pela televisão. A pesquisa entrevistou 2.618 pessoas na faixa dos 13 aos 24 anos e mostrou que esse público fica online quase 17 horas por semana, descontando o tempo usado para ler e escrever e-mails.

Também há um pequeno indicador na pesquisa, porém estarrecedor para os ´Analógicos`: os adolescentes e jovens conseguem realizar várias tarefas ao mesmo tempo e se beneficiam da oferta de mídias.

Mas esse assunto fica para um outro artigo.

Referência: http://noticias.uol.com.br/mundodigital/ultimas/2003/07/25/ult8u663.jhtm

 

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